Hoje o dia foi da caça...

Sabe aqueles dias em que tudo te fere, tudo te açoita e tudo de faz pairar onde não deveria? Hoje é um desses dias para mim... Odeio dias assim! A gente luta tanto para aprender a controlar as emoções, aprende sobre auto respeito, amor próprio e vem o orgulho ferido de quem deslizou, joga uma penca de bananas na sua frente e você desliza de novo e de novo. O ciclo só se repete se a gente deixa, se a gente num desses deslizes pega uma tangente e entra no círculo vicioso que é sofrer, reaprender a ficar bem, ficar bem, deslizar, ficar mal, sofrer, reaprender a ficar bem... e o resto você já sabe!

Há muito tempo eu não escrevia aqui e tinha me prometido que não escreveria mais sobre coisas ruins e tristes, mas tem momentos que nossa voz é silenciada, e é até melhor que seja silenciada mesmo, assim a gente evita o desperdício do próprio tempo e do tempo alheio!

Mas o que fazer quando tudo o que você quer é exatamente o que por vontade própria não querem te dar? Chora feito criança mimada, bate o pé e convence pela encheção de saco e cansaço? E se você conseguisse exatamente o que quer deste jeito, valeria a pena? Tenho certeza que não! Então o que fazer e como fazer? Certamente não sei responder a esta pergunta e tenho me feito há anos a mesma pergunta em nunca achar a resposta. Me formei Coach, estudo Psicologia e nada disso foi capaz de me responder o que há anos paira em meus pensamentos.

Já tentei ser rude e não deu certo! Já tentei ser amorzinho e me pisaram. Já tentei ser meio termo e não funcionou também. Tentei ser indiferente e doeu mais em mim do que nos outros. Então perguntei a Deus porque sou assim e a resposta que acho que recebi é que se tivesse uma palavra pra me definir seria AMOR. Mas se sou amor, porque dói tanto? Porque fere tanto dar amor? Talvez pelo fato de achar que reciprocidade deveria vir ao lado de respeito. Ambos são para mim os itens mais importantes na vida. Respeito e reciprocidade! Então alguém aí sabe dizer porque não consigo ser recíproca nas situações ruins? Talvez por ser amor... Talvez por ainda acreditar que vale a pena dar amor... mesmo que isso signifique não recebê-lo de volta. =/

Queria um dia poder arrancar esse amor que me inunda e colocar alguma coisa no lugar.. talvez uma pedra de gelo seco, que faz muita fumaça e confunde os outros. Em momentos assim escuto ao longe aquele mar calmo me chamando e tenho medo de atender ao seu chamado. Hoje mesmo ele me veio à mente... escuro, solitário, silencioso e sem dor.

O que me mantém de pé é a estranha certeza de que em breve isso acabará e eu poderei respirar normalmente depois de anos. Como se eu estivesse presa num casulo que está demorando anos para se romper mas que aos poucos está me permitindo ver a luz do mundo lá fora. Essa certeza me diz que devo aguentar só mais um pouquinho. Só mais um tiquinho de tempo comparado a todos estes anos de solidão e frio.

Se retrocedi hoje é porque ser forte o tempo todo cansa... e se escrevo aqui hoje é porque percebi que as palavras soam melhores quando não a julgam, quando colocadas aqui ou no papel!

Hoje foi mais um dia que tive que reafirmar para mim que mereço algo melhor do que o que sempre tive, que sou uma pessoa melhor hoje do que em todos os anos que já vivi e que se eu não aceitar isso de vez, nunca terei o que mereço. Porque se cada um tem a vida que merece, será que eu acho que mereço pouco ou nada? Talvez eu esteja acreditando de novo que o nada é melhor que tudo e que é mais fácil ter nada. Se eu fosse pombo, até seria coerente aceitar migalhas da vida, mas minha plumagem é maior, mais robusta e meu vôo é nas alturas. Águias não aceitam migalhas e me prometi, prometi a vida que não aceitaria mais migalhas. A fome pode estar apertando, o vício pode estar gritando, mas enquanto eu aceitar migalhas, é só o que me lançarão. Então que não me lancem mais nada, porque minhas presas eu mesma caço!

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